Postagens

FRANCISCO: O MENINO DAS CEM MENTIRAS

Imagem
                        Era uma vez , um matuto de nome Zé Conrado que morava com sua mulher Filó e seus sete filhos: Pedro, Raimundo, Maria, Antônio, Bento, Jacó e o caçula Francisco, também chamado de Chicó. Viviam da pequena criação de animais e de lavoura, em terras do senhor Nicanor, um poderoso coronel daquela região. Mas num ano de forte estiagem, com os negócios indo de mal a pior, o Coronel entrou em forte depressão. Buscando descontração para amenizar suas angústias, culpas e remorsos por tantas maldades praticadas, resolveu, então, pagar para quem lhe contasse mentiras, como forma de distrair-se. O matuto Zé Conrado, por sua vez, afirmou: — Eu não vou até o Coronel, mas se ele vier a mim, garanto contar-lhe até cem mentiras e ele nem precisa pagar por isso!   O Coronel soube da história e, depressa, saiu com doze capangas para a casa do matuto e, antes, fez um juramento: Se ele não cumprir o prometido, arranco-lhe o couro a chicotadas! Quando avi

A REPARAÇÃO

Imagem
Era uma vez, uma mamãe pata muito dedicada às suas crias, por elas, era capaz de tudo; se necessário fosse, daria sua própria vida. Por isso mesmo, seus filhotes viviam bastante felizes, desfrutando d a tranquilidade de uma maravilhosa lagoa.  Aproveitando-se dessa, por vezes, exagerada confiança, uma maldosa raposa começou a matutar como tirar proveito da situação e conseguir um almoço. E num momento de rara desatenção ela deu um bote certeiro contra o patinho mais descuidado. Como logrou sucesso, ficou toda insolente, achando-se poderosa; nem imaginava a sorte que o futuro lhe guardava, pois mamãe pata não pensava noutra coisa a não ser redobrar os cuidados com aquela ninhada e ainda vingar-se do feito. Pressentindo que os ataques da inimiga não cessariam, a mamãe pata pensou depressa numa artimanha que pudesse por um fim naquilo tudo. Enquanto isso, à espreita dentro de uma moita, a raposa continuava com olhares ameaçadores. Foi então que a pata reagiu e t

SONHOS NUMA MIRAGEM

Imagem
                                      Certa vez, motivado pela sustança de um farto almoço, me aconcheguei a uma confortável rede, fechei os olhos e viajei... E num passo de mágica, lá estava eu caminhando por uma mata, com paisagem de cor acinzentada, quese despida de folhas. O Sol queimava sem piedade e minha garganta doía de tanta sede. Buscando um lugar para me refrescar, segui por uma vereda coberta por folhas secas quando, repentinamente, avistei uma região com muito verde e rumei para lá. Chegando naquele lugar fiquei encantado com tudo que vi, pois, além do alegre cantar dos passarinhos; dos macaquinhos que faziam uma festa danada no alto dos arvoredos comendo e derrubando frutas no chão, estava eu, ali, frente a frente com uma belíssima nascente de água pura e cristalina. Aquela nascente formava um expressivo veio onde era possível avistar uma diversidade de pequenos peixes, tive mesmo uma forte sensação de ser o primeiro humano a pisar naquele lugar. Era mesmo

OS DIFERENTES IGUAIS!

Imagem
                        Certa vez, um rapaz rico e garboso, quando passeava num bosque, encontrou um porco-espinho, parou e observou a forma desengonçada do andar daquele bicho. E por julgá-lo um hostil e desafortunado ser, foi logo lhe interpelando: — Você assim tão espinhoso, como pode desse jeito abraçar alguém, afetuosamente, e ter paz? — O porco-espinho, serenamente, respondeu-lhe fazendo outra pergunta: — Por acaso, tu tens dificuldades para abraçar alguém da tua espécie? — O rapaz respondeu-lhe que não. Só então, disse-lhe o Porco-espinho: — A minha paz não depende só de minha atitude, mas, principalmente, da tua. — Como assim? — Indagou o rapaz, e o Porco-espinho, emendou-lhe: — Meus espinhos são minhas armas, minhas únicas armas, mas ouça bem, armas só de defesa. Autor: PedrO MonteirO Este Conto Fabuloso, apesar de sua singeleza, tem a intenção de contribuir para reflexões instigantes, visando caminhos para uma convivência h

O CORRETIVO

Imagem
Certa vez, nas minhas andanças mata adentro pelas bandas da floresta azul, nas cercanias do rio Jenipapo, município de Campo Maior, no estado do Piauí, eis que me deparei com uma intrigante cena. Veja você! Quando caminhava dentro de um igarapé que parecia há tempos não ver água, ouvi ruídos encima de um lajedo e olhando o que era, avistei uma grande macacada. Isso mesmo, era um grupo de uns vinte macacos, aproximadamente. Faziam uma algazarra danada e naquela folia toda, eles nem perceberam a minha presença. Fiquei ali olhando, avaliando e só então pude entender que se tratava de um trabalho coletivizado quebrando coquinhos. Tinha um que erguia uma pedra de mais ou menos dois quilos, sacudia sobre o coquinho e dava um pulo, enquanto os outros recolhiam os fragmentos dos bagos e faziam um montinho, supostamente, para posterior divisão. Só quando os assustei, dando alguns passos à frente, foi que fugiram em disparada, com exceção de um, o de rosto amuado que estava no alto de

PÁSSARO PEREGRINO

Imagem
A paixão é um pássaro peregrino voando com as asas da emoção, sentimento despido de razão em busca de encontrar o seu destino.                                           PedrO M.

PRENÚNCIO DAS CHUVAS

Imagem
                                                                               Naquele est u rricado sertão nordestino a situação era mesmo de muita tristeza. Já havia passado metade do que seria o período das águas, e nada de chuva! Plantar, naquelas condições, era só um desperdiçar de sementes. A fome se fazia presente vitimando, principalmente, os mais fracos e necessitados. O povo rezava e entoava cânticos rogando por reparação divina, pois acreditava tratar-se de um castigo dos Céus. Foi neste cenário que meu pai decidiu que íamos à Serra da Jurema, um lugar distante dali, mas um dos poucos na redondeza onde ainda era possível tirar mel de abelhas nativas. Saímos de casa cedo, ainda no turvo da madrugada, andando a pé por dentro da mata e quando já era meio dia, o velho parou e ficou observando aquele Céu azul, sem uma nuvem sequer! Eu também parei e olhei, procurando o que tanto lhe prendia a atenção. Então, percebi que se tratava de um redemoinho de uru