sexta-feira, 22 de maio de 2026

FRIO EM SAMPA!



Na cidade de São Paulo
Quando o frio vem chegando,
O povo veste casaco,
Um cachecol ajustando,
Tem garoa no telhado
E cheirinho consagrado
De café se levantando.

Tem neblina, tem friagem
No viaduto e na praça,
O céu cinzento se espalha
Qual véu de fria fumaça,
É o inverno paulistano
Desenhando o céu urbano
Num reflexo na vidraça.

Na janela o vento sopra
Num assobio ligeiro,
O roupão vira riqueza
Na saída do chuveiro,
E o paulistano apressado
Segue firme, agasalhado,
Ante o úmido nevoeiro.

Mas o frio sempre inspira
O poeta trovador,
Estimulando os abraços
Nos labirintos do amor,
E até quem vive sozinho
Faz dos lençóis o seu ninho
De aconchego e calor.

                    PedrO M.

domingo, 19 de abril de 2026

DIA DOS POVOS ORIGINÁRIOS


 












Em dezenove de abril
Celebra-se com respeito,
Vozes da ancestralidade
Ecoando em nosso peito,
Memória viva e presente
De um povo forte e valente
Na luta pelo direito.

Na década de quarenta
Um congresso aconteceu,
Foi celebrado no México
O direito que nasceu
Após firme discussão,
Veio então a afirmação
Que essa conquista se deu.

Pois bem antes da chegada
Do estrangeiro invasor,
Já pulsava nestas terras
Uma vida de valor,
Cada povo em sua essência
Tinha saber e ciência
Em harmonia e vigor.

Que não falte no planeta
Uma justa convivência,
Florescendo em todo canto
Mais respeito e consciência
Sobre o povo pioneiro,
Por princípio verdadeiro,
Um mundo sem violência!

✍️
O Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, é uma data que convida à reflexão sobre a riqueza cultural e a importância histórica dos povos originários do Brasil.

A origem dessa celebração remete ao Primeiro Congresso Indigenista Interamericano, realizado entre os dias 14 e 24 de abril de 1940, na cidade de Pátzcuaro, localizada no estado de Michoacán, no México.

A data simboliza a luta pelo reconhecimento, respeito e garantia dos direitos dos povos indígenas em todo o continente americano. Muito 9antes da chegada dos colonizadores europeus, o território brasileiro já era habitado por diversos povos originários, com línguas, costumes e tradições próprias.

Ao longo da história, esses povos tiveram papel fundamental na formação da identidade cultural do Brasil, contribuindo para a alimentação, a medicina tradicional, a agricultura, a língua e os conhecimentos sobre a natureza.

Celebrar esse dia é valorizar essa herança, reconhecer a diversidade indígena e reforçar a importância da preservação de suas culturas e direitos.

                                            PedrO M.

📸 capturada no Museu do Piauí, em Teresina.





sábado, 18 de abril de 2026

DIA DO LIVRO INFANTIL




I

Chegou dezoito de abril

Trazendo luz e alegria,

O livro para criança

Encanta noite e o seu dia,

Abrindo a porta dos sonhos

Num mundo de fantasia.

II

Esta data é alusiva

A um mestre do escrever,

Sinalizando caminhos

Para o jovem percorrer,

Transformando cada história

Em prazer de conhecer.

III

O sítio do pica-pau

É recanto encantador,

Sua boneca falante

Põe ainda mais valor,

E a infância se ilumina

Nesse mundo sonhador.

IV

Ler é plantar liberdade

Na mais viva inspiração,

É viagem sem fronteira

Guiada por emoção,

É o livro acendendo luzes

Afagando o coração.

V

Que a criança encontre sempre

No livrinho ou no cordel,

Um caminho de esperança

Feito à tinta no papel,

Pois quem lê descobre o mundo

Num singelo carrossel.


✒️

O dia 18 de abril, celebrado como o Dia Nacional do Livro Infantil,

destaca a importância da leitura na formação e na imaginação das crianças.

A data homenageia Monteiro Lobato, pioneiro da literatura infantil no Brasil,

cuja obra contribuiu para abrir caminhos ao conhecimento e à fantasia.


Com o universo do Sítio do Picapau Amarelo, Lobato mostrou que ler é

também descobrir, questionar e criar.


Valorizar essa data é reafirmar o papel do livro na infância como instrumento

de aprendizado, sensibilidade e construção de novos olhares sobre o mundo.


                                                        PedrO M.



 

quarta-feira, 1 de abril de 2026

CENÁRIO POLÍTICO


I

Infelizmente é comum

Ouvir-se, em tom de alarde,

Sobre o Brasil dividido

Entre valente e covarde.

II

Mas convém perguntar logo,

Sem eco de falsa claque:

Que divisão será essa

Que tanto ganha destaque?

III

E não são só divergências

Sobre rumos ideais

Que, em toda democracia,

Se mostram essenciais.

IV

Tem algo bem mais profundo

Que salta à percepção:

Os valores sendo postos

Numa dura provação.

V

De um lado, há quem sustente

A ciência e seus sinais,

As normas de convivência

E os direitos sociais.

VI

E do outro, há vozes turvas

Com discurso temerário,

Negam claras evidências

Num aceno autoritário.

VII

Pois se existe alguma linha

Sobre o corpo social,

Não é mera opinião,

Mas escolha estrutural.

VIII

De um lado, a democracia

Como princípio primeiro;

Do outro, o autoritarismo

Truculento por inteiro!

IX

Assim se pinta este quadro

Sem truque nem artifício:

Uns primam pelo futuro,

Outros são o precipício.


                             PedrO M.





 

segunda-feira, 30 de março de 2026

DOMINGO DE RAMOS



I

Neste dia memorável,

Um ramalhete de palma

Recorda, entre os seus ramos,

A dor que precede a calma.

Dia bendito de luz,

Anunciando Jesus,

Salvação da nossa alma.

II

Pelo mundo, ramos verdes

Enfeitam as procissões,

Fiéis seguem irmanados

Com ardor nos corações...

E hosana ecoa no ar:

— Vem, ó Cristo, nos salvar,

Ante grandes aflições!

III

As cantigas de louvores

Elevam, com humildade,

Jesus, que é recebido,

Predizem felicidade,

Sua luz a florescer

Que faz no mundo crescer

Amor e fraternidade.


 PedrO M. 




domingo, 15 de março de 2026

CATEDRAL DE FORTALEZA


 


















Ergue-se firme na praça
Pedra em santa devoção,
Parte central da cidade
Templo de fé e oração.

São torres cortando o céu
Setas claras de esperança,
Quem entra encontra o silêncio
Quem sai leva confiança.

Nos vitrais repousa a luz
Colorindo a caminhada,
A prece se faz presente
Dentro da nave sagrada.

É sede viva da fé
Da vigília e da partilha,
Onde o povo acha consolo
Ante a dor que tanto humilha.

Catedral de Fortaleza
Monumento episcopal,
Poema em forma de templo
Terreno e celestial.

🕍
A Catedral Metropolitana de Fortaleza foi inaugurada oficialmente em 22 de dezembro de 1978.

A cerimônia de inauguração foi presidida pelo então cardeal Dom Aloísio Lorscheider.
Projetado pelo arquiteto francês George Maunier, o templo apresenta estilo eclético, com fortes influências neogóticas e românicas.

Sua construção levou cerca de 40 anos, tendo sido iniciada em 1938, no local onde antes se erguia a antiga Igreja da Sé.

                                  PedrO M.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

ORGULHO NORDESTINO


 


















“Orgulho Nordestino”, fruto de mais uma parceria minha com Nilza Dias, é um tributo às raízes, à memória e à força de um povo que transforma resistência em poesia. Publicado pela Rinaré Edições e enriquecido pela delicadeza visual de Silva Barros, este livro celebra o Nordeste como lugar de pertença, de histórias encantadas e de uma cultura que pulsa viva no coração do Brasil.

Estrofes iniciais:

Solicitamos licença 
Para lhes apresentar
Um Nordestino que migra
Sem se “desnordestinar”, 
Nutrindo firme postura
Em prol da sua cultura,
Buscando se autoafirmar.

Encarna esse personagem
A saga da migração:
Bravura, coragem, luta,
Conquista e decepção;
Que, por vezes, o consome,
Mas é forte até no nome —
José Francisco Romão.

Antes de tudo, é um forte,
Gente de sangue na veia,
Compondo esta narrativa
E o conteúdo da teia,
Retrata uma condição
Entre o sentir e a razão,
Em verve que não falseia.

(...).
O mar de modernidades
Não faz a cabeça dele.
Tem firmes convicções,
Sendo o natural que ele
Como um bom cabra-da-peste,
Mesmo longe do Nordeste
Carregue o Nordeste nele.

Assim José vai tecendo
O seu estilo de vida,
Ante aos flashes midiáticos
De propaganda exibida,
Teima, tal qual vaga-lumes,
Para manter os costumes
Da sua terra querida.

Ao recordar com ternura
O seu tempo de menino,
As festas de tradição
De Reisado e do Divino.
Das tantas coisas singelas,
Uma beleza, entre elas,
Era o festejo junino.

Terreiro todo enfeitado,
Gente em volta da fogueira,
Quadrilha, dança e poesia,
Toada de cirandeira,
Xaxado, xote e baião,
Biriba, traque e rojão
Animando a brincadeira.

Ao som de um rádio de pilhas
Alegrando a tardezinha,
Junto ao barulho de bode,
Cabrito, porco e galinha;
A faixa sintonizada
Vinha da antena instalada
Sobre a casa de farinha.

Pureza e simplicidade
Num ambiente gostoso,
Povo pacato e feliz
De espírito generoso.
Quer no terreiro ou na rua,
Ouvia-se, em noites de lua,
As histórias de Trancoso. 

Longe, vê-se a balançar,
Batendo o pé na parede,
Indo pra lá e pra cá
No vai e vem de uma rede,
O calor se arrefecendo,
Tal fosse a água descendo
Na goela ardendo de sede.

Ouvindo um canoro canto
Do maestro sabiá,
Comendo milho cozido,
Bolo, cuscuz, mungunzá,
E uma famosa iguaria
Conhecida na Bahia
Por nome de vatapá.

Num caldo bem temperado,
Delicioso feijão
Misturado com farinha,
Amassado com a mão,
Feito com muito carinho,
Resultando num bolinho
Chamado de capitão.

E reluta em regressar,
Dessa viagem tão boa…
Se viu montar burro bravo, 
Tomar banho de lagoa,
Mas retorna do passado
No compasso alvoroçado
Que é da terra da garoa.

Pela escola que é a vida
José chegou diplomado,
Mas nem tudo que aprendeu
Tende a ser aproveitado — 
Benzido pra catimbó
Nem mijada de potó
Em Sampa não é usado.

As diferenças são tantas
Entre as estranhezas mil,
Que um belo quarto de porco 
É chamado de pernil;
Pela linguagem que tece,
Por vezes, nem se parece
Ser este o mesmo Brasil. 

WhatsApp: 11 99135 1919 
@poetapedromonteiro

ARTE E CULTURA

FRIO EM SAMPA!

Na cidade de São Paulo Quando o frio vem chegando, O povo veste casaco, Um cachecol ajustando, Tem garoa no telhado E cheirinho consagrado D...