SONHOS NUMA MIRAGEM

                                   
 Certa vez, motivado pela sustança de um farto almoço, me aconcheguei a uma confortável rede, fechei os olhos e viajei... E num passo de mágica, lá estava eu caminhando por uma mata, com paisagem de cor acinzentada, quese despida de folhas. O Sol queimava sem piedade e minha garganta doía de tanta sede. Buscando um lugar para me refrescar, segui por uma vereda coberta por folhas secas quando, repentinamente, avistei uma região com muito verde e rumei para lá. Chegando naquele lugar fiquei encantado com tudo que vi, pois, além do alegre cantar dos passarinhos; dos macaquinhos que faziam uma festa danada no alto dos arvoredos comendo e derrubando frutas no chão, estava eu, ali, frente a frente com uma belíssima nascente de água pura e cristalina. Aquela nascente formava um expressivo veio onde era possível avistar uma diversidade de pequenos peixes, tive mesmo uma forte sensação de ser o primeiro humano a pisar naquele lugar.


Era mesmo um encanto de lugar; com uma incomparável comunhão de belezas: aves; animais; flores e frutos silvestres transformavam aquilo tudo num verdadeiro paraíso terrestre.

Após saciar a sede que me castigava e comer saborosos frutos, deitei-me sobre a folhagem para um breve descanso do corpo e da alma... Eis que, subitamente, fui cercado e dominado por uma grande quantidade de animais, aqueles antes inofensivos, agora me hostilizavam; senti-me um verdadeiro réu! Fiquei horrorizado com o olhar cortante de uma pequenina tartaruga. Meu amigo, de forma impiedosa fui, por eles, arrastado para uma Corte de Justiça e, lá, o magistrado supremo me olhou firme e sentenciou:
Você está enquadrado na lei da supremacia dos bichos, que diz no seu Artigo 1º:
É dever de todo humano, preservar as florestas, a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade.

I — Cada humano responderá pelo lixo que gera e pela displicência em sua destinação.

Il — A natureza devolverá, rigorosamente, toda agressão a ela praticada, tais como: devastação das florestas, poluição do ar, dos rios e do mar.

Parágrafo único — Pena capital para quem descumprir o determinado. — Bateu o martelo!
Neste momento, fui acometido de um baita susto, um grande maracujá caiu sobre meu peito e dei um grande salto… epa!
           Na minha rede não!   
              Autor: PedrO MonteirO é poeta cordelista e contista Piauiense de Campo Maior.

Comentários

Dalinha Catunda disse…
Olá Pedro,
Gostei de sua prosa ecológica.
Bem alinhavada mesmo.
Um abraço,
Dalinha
Cordelirando disse…
Caro Pedro, confesso que viajei lendo seu texto, tão bem (d)escrito!
Ah se todos soubessem praticar de fato o respeito não só no que concerne aos seres humanos entre si, mas também em relação à natureza e aos outros animais...
Aproveito o ensejo para informar que tem novidade no Cordelirando, passa lá!
Abraços!
Dalinha Catunda disse…
Olá Pedro,
Como dizia Patativa:
"Cante de lá que canto de cá"
Nós, cada um cantando de um lado e mais uma vez juntos no Nordeste Rural. Acho que vale a pena apostar na literatura popular e mostrar nosso Nordeste ao Mundo.

Um abraço,
Dalinha
Cordelirando disse…
*Queremos parabenizar pelo site e aproveitar para convidar você a visitar nosso blog www.cordelirando.blogspot.com onde você poderá ler o mais recente cordel intitulado VISÃO DO "STF" SOBRE A LEI FICHA LIMPA.
Um forte abraço!
R Ú B I A disse…
Tudo muito bem alinhavado, amigo.
Parabéns!!!
Anônimo disse…
Que pena que a prática dessa sentença ainda esteja apenas no sonho desse poeta sonhador!

Abraço
Etelvina Fernandes
Anônimo disse…
Acredite, viajei com o que li rs
muito agradável a leitura e faz com que a gente
se sinta na história e viaje pelo sonho do qual é acordado
por um maracujá rsrs, me fale isso aconteceu mesmo?
Como vc disse tudo o que escreve tem uma causa.

Gostei muito!

Ana Rita Tavares

AlinhavoS de PedrO MonteirO

A VOLTA AO MUNDO EM OITENTA DIAS, VERSÃO EM CORDEL (Coleção clássicos em cordel).

SÃO PAULO EM CORDEL

JOÃO GRILO, UM PRESEPEIRO NO PALÁCIO