sábado, 28 de setembro de 2019

quinta-feira, 26 de setembro de 2019

sábado, 24 de agosto de 2019

FRIO EM SAMPA








































Diante de um dia frio,
em pleno mês de inverno, 
pressupõe o desafio 
de um aconchego mais terno!

terça-feira, 30 de julho de 2019

CAJUÍNA EM TERESINA



A cajuína ameniza
humanamente o calor,
é néctar que vitaliza
os doces laços de amor. 
Teresina, realeza,
vila nova do Poti,
velho monge, outra beleza,
das terras do Piauí.

Caminhar de braços dados
compartilhando essa flor,
ser colibri dos cerrados
polinizando esplendor,
desvelo da natureza
que faz sorrir e pensar,
uma ode à sutileza
que habita este meu lugar!

Cajuína em Teresina…
delícia deste meu chão,
mais o sol que descortina
as belezas do sertão!
A poesia é o elo
entre anjos tortos e os sãos,
Torquato Neto e Castelo,
nas palmas das nossas mãos!

PedrO MonteirO

quarta-feira, 26 de junho de 2019

AMIZADE


Sublime é a amizade,
Assim dizia Platão:
Sapiente lealdade
Sob a luz da criação!
Com isso, até vejo imagem,
E juro, não é miragem,
É sopro de inspiração!

sexta-feira, 21 de junho de 2019

domingo, 26 de maio de 2019

PRISÃO SEM CADEADO



A prisão nem sempre é
com grades e cadeados,
mas de sentimento e até
pelos remorsos guardados!

CRIVOS INVERSOS



Nos alinhavos dos versos
uma certeza me atiça:
Somente os crivos inversos
bordarão nossa justiça!

(P.M).

quarta-feira, 8 de maio de 2019

MÃE TERRA




A flor antecede o fruto,

Numa safra divinal,

Mas não é prova cabal

Da derrocada do bruto,

Tampouco salvo conduto

Para quem é negligente.

Pois só o benevolente

Vai fazer acontecer

E, assim, a mãe terra ser

Jardim da nossa existência!

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

CUMADE FULOZINHA



Narrado em cordel por Pedro Monteiro, Xilo de Lucélia Borges e apresentação de Marco Haurélio.

Cumade Fulozinha, como todas as criaturas mágicas do folclore brasileiro, assume formas variadas a depender da zona em que ocorrem suas aparições. Os seus traços também variam, mas as atribuições como duende fêmea, protetora dos animais selvagens de pequeno porte, punidora dos caçadores vorazes, são praticamente as mesmas em todo canto. Deriva, logicamente, do mito primitivo do Caipora, mas ganhou características próprias ao longo do tempo. Caapora, palavra tupi, significa “habitante da mata” e, por muito tempo, pode ter sido simplesmente uma designação genérica para as aparições informes das matas brasileiras, denunciadas pelo sibilar do vento, pelo estalo de galhos e pelo medo que incutia aos caçadores (Ver Luís da Câmara Cascudo, Geografia dos mitos brasileiros, p. 115). A Caipora fêmea parece ser uma adaptação tardia, assim como a Matinta amazônica, condicionada pela letra a (desinência que, na língua portuguesa, indica o gênero feminino).

A meio caminho entre o Caipora e a Cumade Fulozinha fica a Flor do Mato paraibana, de longa cabeleira loira, apreciadora de fumo mapinguinho, condutora da caça miúda, inimiga feroz dos caçadores impenitentes. Detesta pimenta. Açoita com seus cabelos os caçadores que lhe negam o tributo do fumo ou que abatem mais animais que o necessário à sua subsistência. Os cachorros percebem sua chegada antes de seus donos. Seus assobios desconcertam os caçadores, que ficam “variados”. Pode, como o Saci, matar os profanadores de seus domínios, fazendo-lhes cócegas nos pés por horas seguidas. Chamam-na “cumade” (comadre), estabelecendo-se um vínculo mágico, um pacto, assim como ao Negro d’Água, do rio São Francisco, chamam Compadre d’Água, num misto de medo e respeito. A Zona da Mata pernambucana, encolhida pelo avanço das usinas de cana de açúcar, é o habitat onde há maior registro da presença da Cumade Fulozinha, metamorfose final do informe Caipora, que tanto assombrou os primeiros cronistas europeus.

Pedro Monteiro, poeta piauiense, natural de Campo Maior, traz-nos, em cordel, uma interessante variante a partir de suas memórias de infância e juventude: Fulozinha é uma menina que, perseguindo um beija-flor, perdeu-se nas matas, morreu e virou visagem. Semelhante à concepção do Caipora como alma de “índio pagão”, possivelmente uma esperteza dos catequistas incorporadas pelos supersticiosos. Ela surge num redemoinho, como o Saci, e sua presença sobrenatural, muitas vezes, provoca danos que vão além do pavor que insufla. O sujeito para quem aparece fica “encaiporado”, possuidor de má sorte, pé frio, como dizem hoje em dia. Terá sorte, no entanto, quem ler este folheto de cordel que lança luzes sobre um assunto sempre fascinante e tão pouco explorado pela poesia bárdica do Nordeste.

Marco Haurélio

Estrofes iniciais:

Lembro de contos narrados
Pela minha vovozinha,
Sendo alguns remanescentes
Do tempo da Carochinha.
Nessa mesma trajetória
Ela contava a história
Da Cumade Fulozinha.

Eu só tinha doze anos,
Mas desde os oito, caçava,
Por isso dava atenção
Ao causo que ela contava.
Sempre ali de prontidão
Ouvindo com emoção,
Chega nem pestanejava.
(…).

Fulozinha aos sete anos
Pela astúcia já prendia
A atenção dos adultos,
Pois seu tino possuía
Destreza de liberdade,
Com muita sagacidade
Num mundo de fantasia.

Foi assim que um certo dia,
Por arte de um feito seu,
Ao seguir um beija-flor,
Na floresta se perdeu,
Virou estrela cadente,
Reaparecendo somente
Quando o encanto se deu.

Como espectro, até hoje,
Sua fama é destacada,
Age por toda a floresta,
Mesmo de face envultada,
Sempre promovendo o medo,
Peraltice e arremedo,
Na forma de presepada.

(…).

Nas palavras da vovó,
Depressa me recordei
De uma vez numa caçada,
Um vexame que eu passei,
Foi noitada cabulosa,
Além de escura, chuvosa
E do assombro lhe contei:

— Saímos, eu e meu pai,
Para mais uma caçada,
Até aquele momento
A noite estava estrelada,
Porém, bastou um instante,
O céu mudou de semblante
Com lampejo e trovoada.

Nossa cachorra Baleia
Era a melhor garantia
De sucesso na empreita
Pela sua valentia.
O tatu que ela acuava,
Depois que o dominava,
Por entre os dentes latia.

Seguíamos por uma trilha
No clarão do candeeiro,
Quando ouvimos alaridos
Por detrás de um imbuzeiro,
Nossa cachorra gania,
O prenúncio parecia
Arte de um catimbozeiro.

Como se estivesse presa
Por armadilha certeira,
O ressoar das lapadas
Igual de uma açoitadeira.
A pobre se maldizia,
Tudo aquilo parecia
Não ser nada brincadeira.

Após a tremenda surra,
Ela chegou assombrada,
E deitou-se em nossos pés
De uma forma acabrunhada,
Como quem diz “me acuda”,
Implorando por ajuda
Para não ser açoitada.

(Segue)...

Contato com o autor:
(11) 99135-1919 - tim
@pedrocordel

quinta-feira, 7 de junho de 2018

ERRANDO E APRENDENDO


O maior erro na vida
é o ter medo de errar!
Errar faz parte da lida,
reconhecer é sanar
esse arremesso de seta
que nos desvia da meta
se o medo perpetuar.

No dia a dia se aprende,
viver é sempre aprender.
Sorte de quem compreende
para jamais esquecer:
Fim também é recomeço,
indignar-se é o preço
de nunca desvanecer.

Tristeza é a incerteza,
alegria um papo certo,
afeição é a nobreza
de um sentimento liberto.
Ódio destila baixeza,
amor é delicadeza
e o desejo de estar perto.

segunda-feira, 4 de junho de 2018

DENUNCIAR SEMPRE


Denunciar, prevenir
não é deixar desandar,
más fortemente abraçar
ações de um novo porvir.
Para a justiça punir
qualquer tipo de agressão,
sem engodo ou restrição,
porque quem ama não mata,
nem agride, nem maltrata —
É essa a grande questão!