sábado, 10 de junho de 2017

JOSÉ e MARINA















































Pedro Monteiro, cordelista piauiense de Campo Maior, radicado em São Paulo, ativista do movimento sociocultural, lança mais um folheto pela EDICON Editora, com ilustração de Nireuda Longobardi e diagramação de Josué Gonçalves.

Abaixo, as estrofes que abrem o folheto: 

O saber é porta aberta
Ante a cerca social;
Sociedade moderna
Só vê referencial
Em quem tem conhecimento
E notório suplemento,
Na parte intelectual.

Alguém que ainda não faz
Das letras combinação,
Aplicando dia a dia
Sua comunicação;
Não vê o mundo real,
Tem seu olhar desigual
Por falta de interação.

O letramento é o sal
Da mente desenvolvida,
Rompendo nó e os estorvos
Acumulados na vida;
Faz um novo alvorecer,
Para quem desejar ter
Essa cegueira abolida.

E por isso é recomendável
Para jovem ou o adulto,
Se ainda analfabeto,
Considerado um inculto,
A EJA é a melhor saída,
O carimbo que valida
Desta sentença, o indulto.

Vamos falar de José
Nascido em berço pacato,
Exemplo em superação,
Mas sem perder seu recato.
Dos guardados da memória,
Quero contar sua história
Narrando ato por ato.
(...)
Sobrevivente da seca
Que tanto traz aflição,
Especialmente ao pobre
Que vive da plantação.
Pois via o açude secar
E nenhuma gota pingar
Para molhar o seu chão.

Dedicar-se ao trabalho
Era o costume dali,
Um lugarejo rural
Perto de Piripiri,
Mais um produtor minguado
Cultivando o seu roçado
No Estado do Piauí.



sexta-feira, 9 de junho de 2017

A LENDA DO PEIXE DOURADO


APRESENTAÇÃO

A história do Peixe de Ouro, fazedor de milagres, é mais abrangente do que se pensa, e integra muitas coletâneas de contos tradicionais, incluindo os Marchen dos Irmãos Grimm. No catálogo internacional do conto popular, é classificado como ATU 555The Fisher and his Wife (O pescador e sua mulher), com variantes e versões em inúmeros países. Adverte para os riscos e consequências da ambição desmedida, sendo, ao mesmo tempo, um conto maravilhoso e uma história exemplar. O peixe aparentemente indefeso do início da história mostra-se um auxiliar mágico poderoso, mal disfarçando o exercício de um poder de deidade, recompensando e punindo quando a ganância torna-se sacrilégio. Impossível não recordar o peixe divinizado de várias culturas e épocas (elamita, bramânica, budista, babilônica) e que, por fim, tornou-se símbolo e emblema do cristianismo.
Talvez seja um resquício do culto o deus sumério Oannes, corpo de peixe e cabeça e pés humanos, reminiscência de outro deus sumério Abgallu, divindade civilizadora enviada por Ea. Adorado em muitas cidades, sua iconografia pode ter inspirado o pitoresco conto bíblico do profeta Jonas engolido e depois regurgitado por um grande “peixe”. Em Nínive, cidade assíria para onde Jonas teria sido enviado por Deus, o deus Dagon pontificava. Dag, em hebraico, é peixe. Serviu, certamente, de inspiração para o episódio mitológico grego no qual Apolo, metamorfoseado em delfim, transmite ensinamentos aos homens. E Jonas (Yonah em hebraico, Joannes em grego) parece ser uma versão tardia do mito civilizador de Oannes reaproveitado em uma história exemplar.
Um arquétipo tão poderoso quanto o do peixe mágico, em mais uma história de recompensa e punição, fatalmente seria levado ao prelo por um autor de cordel. E a tarefa coube a um poeta que tem nome de pescador, Pedro, e sobrenome de caçador, Monteiro, que foi buscar o enredo na versão coligida por Nair Lacerda, no livro Maravilhas do conto popular.


                                                                                        Marco Haurélio


Pedro Monteiro, é cordelista piauiense radicado em São Paulo, ativista do movimento cultural e social.
Obra publicada pela Editora Tupynanquim, com diagramação, capa e Ilustração, de Klévisson Viana.

Abaixo, as estrofes que abrem o folheto:
 

Se avareza é um pecado,
Ganância é muito pior.
Sorte de quem nunca esquece
De olhar ao seu redor,
Apreciando a beleza,
Que nutre a delicadeza
E faz um mundo melhor!

Tem gente que na pobreza
Até lhe estende a mão,
Mas se lhes derem poderes
Endurece o coração,
Cobiçando o impossível,
De jeito irreconhecível
Na pratica da opressão.

A narrativa que segue
Faz um ligeiro recorte,
De quem, com muita arrogância,
Dedo em riste e braço forte,
Viu seu império ruir
E em águas fundas sumir
Sua reserva de sorte.  

Um pobre casal de idosos
Que habitava uma ilha,
Dividia uma cabana
Num exemplo de partilha;
Até surgir alvoroço,
De a mulher pôr o pescoço
Na sua própria armadilha.

Era a ilha de Buián,
Rússia, país fascinante,
Com a cabana fincada
Na floresta verdejante,
Pela vista parecia,
Ela por dentro seria
Um espaço aconchegante.

(...)

Um dia de manhãzinha
O velho estava a pescar,
Sentiu um repuxo na rede
Seguido de um murmurar:
— Vovô, não faças maldade,
Tenhas de mim piedade,
E devolvas-me ao mar.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

CORDEL CANTA CAYMMI

Esta postagem é uma reprodução do Blog do poeta Marco Haurélio — CORDEL ATEMPORAL




















Graças a Juliana Gobbe, poeta, ativista e agitadora cultural, o centenário de Caymmi não passou em branco no meio cordelístico. Cinco autores de cordel foram convidados para participar de um projeto que, entre outras coisas, incluí a criação de um livro digital sobre o cantor e compositor baiano, nascido em 1914. O livro, lançado em um evento em homenagem ao músico, ocorrido em Atibaia (SP), no dia 12 de dezembro, foi apresentado pelo celebrado escritor e jornalista Audálio Dantas, idealizador da memorável exposição 100 Anos de Cordel, de 2001.

Abaixo, alguns trechos do livro que contou com projeto gráfico de Daniel Caribé. A versão completa pode ser acessada AQUI.

Acontece que eu (também) sou baiano
Autor: Marco Haurélio

Eu, que nasci na Bahia,
Não sei de onde você é,
Mas o que sei é que sou
Devoto de São José,
E no mês de março sempre
Mostro ao mundo minha fé.

Mas a minha devoção
Em mais de uma crença está,
Pois, a dois de fevereiro,
Preparo meu samburá
E me mostro agradecido
À rainha Iemanjá.

E quando a minha jangada
Ia bem longe do cais,
Deixava meu bem-querer,
Entre lamentos e ais,
Pois quem vai para o alto mar
Pode até não voltar mais.

O fato é que eu retornava,
Pois era essa minha sina,
Mas muitos por lá ficaram,
Sem ver mais Amaralina,
E terminaram no leito
Verde-azul de Janaína.

Já fui à Maracangalha,
Com Anália e até sem ela,
Trajando uniforme branco
Com uma flor na lapela,
Porém sempre retornava
Aos braços da minha bela.

(...)

Assim nasceu João Valentão
Autor: João Gomes de Sá

Diziam as boas línguas
Que ele era homem um decente,
Trabalhador responsável,
Até muito paciente.
Conhecido na Ribeira
Por jogar bem capoeira
Junto com a sua gente.

Seu trabalho era nas docas,
Carregando caminhão,
Com fardos de mercadorias:
— Café, cacau e feijão.
No dia a dia, na lida,
Andava feliz da vida
Com sua profissão.

Desde cedo, inda menino,
Aprendera a dedilhar
Um violão que ganhou
Do seu avô Ribamar.
E nos finais de semana
Entornava sua “cana”
E desabava a cantar.

E daí foi só um pulo,
Tornou-se compositor;
Compôs verso e fez canção —
Era um boêmio-cantor.
Foi nos botecos do porto
Que descobriu seu conforto,
O seu verdadeiro amor.

(...)

Dorival Caymmi, eterno ‘Canoeiro’
Autor: Moreira de Acopiara

No meu tempo de menino
O meu prazer era tanto!...
Mamãe me contava histórias
De pescaria e de espanto,
Mas na hora de dormir
Sempre tinha um acalanto.

Eram muitas as canções
Que ela sabia cantar:
‘Marina’, ‘Maracangalha’,
‘É doce morrer no mar’,
‘Meu eu’, ‘Boi da cara preta’
E outras canções de ninar.

‘Saudade de Itapoã’
Ela cantava também,
Assim como ‘Anjo da noite’,
‘O que é que a baiana tem?’,
‘O vento’, ‘Só louco’... ‘O mar’
Ela interpretava bem.

E ainda cantarolava
‘Suíte dos pescadores’.
Cantando assim, minha mãe
Aplacava minhas dores.
Com ‘Samba da minha terra’
Me mostrava novas cores.

Tudo isso ela cantava
Do modo mais natural.
Gostava de outras canções,
Mas nutria especial
Paixão pelas melodias
Do baiano Dorival.

(...)

Vatapá na MPB
Autor: Pedro Monteiro

Sobre Dorival Caymmi
Em versos quero narrar
A sua chegada ao mundo
Feito canção de ninar.
Como uma dádiva de amor,
A bela São Salvador
Viu esse filho chegar.

A Divina Providência,
Nessa expressão de alegria,
Harmonizando a cantata,
Composta com maestria,
Consultou o calendário
E o pôs num lindo cenário
Na capital da Bahia.

A música na sua vida,
Adensada ano a ano,
Das cordas de um bandolim,
Aos teclados de um piano,
Do violão, baluarte,
Abraçado pela arte
No seio cotidiano.

Ouvindo muitas cantigas
E contos que vêm do povo,
Num desenrolar de curvas,
Em busca de um tempo novo,
Ele deixou Salvador,
Era um jovem sonhador
Quebrando a casca do ovo!

Pegou o Ita no Norte
E foi pra o Rio morar.
Buscando espaço no rádio,
Aprimorou o seu cantar;
Vencendo muitas barreiras,
Com suas canções praieiras,
Fazendo louvor ao mar!

(...)

365 igrejas
Autor: Arievaldo Vianna

Todo baiano é devoto
Reza o dito popular
Num sagrado sincretismo
Aonde pode juntar
Santos da Igreja Cristã
Com Oxum, Ogum, Nanã
Para os reverenciar.

E desse modo, a rezar
Dos mais distantes recantos
Vai compondo as orações
Seus louvores e seus cantos
Repletos de poesia
Pois afinal, a Bahia
Adora todos os santos.

Mestre Dorival Caymmi         
Notável compositor
Cantou a faina praieira
E os encantos do amor
Nessas canções e pelejas
Falou também das Igrejas
Que existem em São Salvador.

São trezentos e sessenta
E cinco, que alegria,
As igrejas que existem
No Estado da Bahia
Tem igreja em todo canto
Uma para cada santo
E um santo pra cada dia.

(...)

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@pedrocordel

terça-feira, 6 de junho de 2017

A VOLTA AO MUNDO EM OITENTA DIAS, VERSÃO EM CORDEL (Coleção clássicos em cordel).


Meus amigos, triunfar seguindo os passos de Fileas Fogg, foi também para mim uma grande conquista. E isso só foi possível, graças as valorosas companhias de Maércio Lopes, Marco Haurélio e da Editora Nova Alexandria.
Veja agora o que disse o editor, coordenador da coleção e apresentador da obra, poeta Marco Haurélio.


Amigos, é com muita satisfação que comunico a publicação de mais um título da coleção Clássicos em Cordel, da Editora Nova Alexandria. O autor é Pedro Monteiro e o título por ele revisitado é A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, de Júlio Verne. Além disso, depois de muito tempo, voltei a assinar uma apresentação da coleção que coordeno desde 2007. As ilustrações em xilogravura, geniais, são de Maércio Lopes. Aguardem, para breve, o lançamento. Mas, antes, fiquem com as estrofes de abertura:

Da obra de Júlio Verne
Serei fiel ao roteiro,
Nos passos de Fileas Fogg
O notável cavalheiro,
Reescrevendo a história
Deste grande aventureiro.

Contarei sua façanha
Narrada aqui em cordel.
Assim, pretendo fazer
O meu relato fiel,
Esperando que ele tenha
Um relevante papel.

(...)

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O TRIUNFO DO POETA NO REINO DO CAFUNDÓ



Pedro Monteiro é um danado. Depois de visitar o universo dos heróis picarescos com Chicó, o Menino das Cem Mentiras e João Grilo, um Presepeiro no Palácio, Pedro se volta, agora, para cenários e personagens que fazem lembrar as Mil e Uma Noites. Mas não nos enganemos: O Triunfo do Poeta no Reino do Cafundó – lançado recentemente pela Luzeiro – integra o mesmo rol dos anteriores, embora, aqui, o burlesco não se revele de imediato e, mesmo no final, só seja percebido por olhares mais perspicazes. As estrofes do introito demonstram que a literatura é a soma do talento individual à capacidade de garimpar no inconsciente coletivo:

Certa vez imaginando
A nossa ancestralidade,
Joguei luz no pensamento,
E busquei na oralidade
Histórias que se perderam
No vão da modernidade.

Peguei caneta e papel,
Remexi nos meus lembrados,
Invoquei sabedoria
Dos nossos antepassados,
Lembrei-me da minha avó
Fazendo seus proseados.

Ela falava que um reino
Chamado de Cafundó
Tinha um monarca viúvo
De nome Halabadjó,
Que dizia descender
Do patriarca Jacó.

Este Rei tinha uma filha
Pronta para se casar.
Por ela ser unigênita,
Era preciso arranjar
Um pretendente que fosse
Apto para governar.

Maristela era o seu nome
Uma formosa donzela,
O Rei invocou a Vênus
Para ser tutora dela.
Nos encantos, esta deusa
Foi generosa com ela.

Sua feição parecia
O brilho celestial,
Um primor de formosura,
Uma arte escultural,
Como o fulgor da aurora
No rebento matinal.

Foi assim que certo dia
Halabadjó publicou
Um edital informando
Que sua corte aprovou
E aquela sucessão
Ele assim normatizou.

A regra daquele edito
Foi por um sábio proposta:
Seria feito a disputa
Entre pergunta e resposta,
Somente o sábio dos sábios
Venceria aquela aposta.

(...)

Aparecerá, depois, outro rei cruel, de nome Nagib, que mudará as regras do jogo e instituirá a pena de morte para quem não responder às suas ardilosas perguntas:

Este Rei era Nagib,
Homem de muita ruindade.
Para com o Halabadjó
Agia sem lealdade
Pra transformar Cafundó
Num império de maldade.

Um poeta, de nome Valdemar, tentará interromper a cadeia de maldades impostas pelo tirano. Sua chegada ao reino e o encontro com a princesa Maristela é um interlúdio romântico, necessário à identificação do protagonista:

Ela, quando viu o moço,
Ficou impressionada,
Sua beleza era tanta
Podendo ser comparada
Ao brilho do deus Apolo
Sobre uma flor encantada.

Não é novo na literatura de cordel o motivo das perguntas e respostas. Figura no grande clássico História da Donzela Teodora, de Leandro Gomes de Barros, e nas Proezas de João Grilo, de João Ferreira de Lima. Câmara Cascudo recolheu o conto As Perguntas de D. Lobo, reproduzido no Contos Tradicionais do Brasil, em que o personagem-título é derrotado por um moço que lhe faz a seguinte pergunta: “Quem é que nasceu de uma Virgem, batizou-se num rio e morreu numa cruz?”. D. Lobo, que era o Diabo sob disfarce, sem poder pronunciar o sagrado nome de Jesus, acaba derrotado. O rei Nagib da fabulação de Pedro, encarnando o mal absoluto, é uma caricatura do Diabo dos contos de adivinhação.

Saudamos, assim, mais um triunfo do poeta Pedro Monteiro que a cada novo título enriquece mais o cordel, gênero que ele adotou como profissão de fé e ao qual tem prestado valorosos serviços.

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segunda-feira, 5 de junho de 2017

HISTÓRIA DAS COPAS DO MUNDO EM CORDEL


*****É Lançado em São Paulo*****

A Caravana do Cordel, através da Editora Luzeiro, lançou seu primeiro trabalho coletivo contando a HISTÓRIA DAS 18 COPAS DO MUNDO, narrada por um time de 18 poetas.

COPAS X POETAS

1930 – Cícero Pedro de Assis
1934 – Cleusa Santo
1938 – Pedro Monteiro
1950 – Varneci Nascimento
1954 – Aldy Carvalho
1958 – Carlos Alberto Fernandes da Silva
1962 - Costa Senna
1966 - Moreira de Acopiara
1970 – Benedita Delazari
1974 – Aderaldo Luciano
1978 – Nando Poeta
1982 – Josué Gonçalves Araujo
1986 – João Gomes de Sá
1990 - Dé Pageú
1994 – Sebastião Marinho
1998 – Cacá Lopes
2002 – Marco Haurélio
2006 – Luiz Wilson

O trabalho ficou primoroso e agora com uma novidade, o cordel de 32 páginas com ISBN, é um verdadeiro livro, podendo ser consultado em qualquer parte do mundo, após ser feito o depósito legal. Este trabalho é resultante do time de poetas que se empenhou para fazê-lo e que está um primor, tudo sob a organização de Nando Poeta, o pai da idéia. A capa está simplesmente linda feito pelo André Mantoano, um jovem talento que tem se revelado um exímio capista.

Veja as primeiras estrofes do cordel:

O futebol pelo mundo
É uma forte paixão.
E sua Copa do Mundo
É momento de emoção,
Completam-se oitenta anos
Da sua realização.

Cada lance de uma Copa
Faz o torcedor vibrar.
Quando a sua seleção
Entra em campo pra jogar.
Seus craques, gols ou fracassos,
Fazem sorrir e chorar.

Por isso nossos poetas
Tentaram fazer a obra
Todos atletas da rima
Com poesia de sobra
Fazendo na arte do verso
Olé, gingado e manobra.

Cada um fez um resumo
No trabalho de gigante.
Caravana do Cordel,
Um movimento importante,
Mostra ao mundo do esporte
Que o cordel é atuante.

Revela que o futebol
Além de ter ginga pura,
De drible, de goleada,
De disputa e de bravura,
É possível ir do gramado
Para o campo da leitura.

(...)

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domingo, 4 de junho de 2017

JOÃO GRILO, UM PRESEPEIRO NO PALÁCIO

















Pedro Monteiro, cordelista piauiense radicado em São Paulo, membro fundador da Caravana do Cordel, lança novo folheto, explorando mais uma vez o tema gracejo.

Pedro traz de volta o personagem João Grilo, o grande pícaro dos contos populares.

Uma das referências imediatas é o conto "Adivinha, adivinhão", recolhido e comentado por Câmara Cascudo, a mais lúcida inteligência que este País concebeu.

Autor de "Chicó, o menino das cem mentiras" (Luzeiro, 2009), Pedro publica agora, pela Tupynanquim de Klévisson Viana, este "João Grilo, um presepeiro no palácio".

A ilustração da capa é do próprio Klévisson.

Abaixo, as estrofes que abrem o folheto:

Quero aqui contar em versos
Uma aventura engraçada,
Sobre um bom adivinhão
De astúcia comprovada,
Fazendo revelação
Com uma ave encantada.

O mestre Câmara Cascudo
Fez a catalogação
Desta pérola recolhida
Na fonte da tradição,
Fincada lá nos guardados
Da nossa imaginação.

Vem da tradição oral,
Presente em forma de conto,
Atravessando fronteiras —
Quem conta aumenta um ponto!
E gente de toda idade
Aplaude e pede reconto.

Para narrar em sextilhas,
Confesso aqui que inventei,
Refazendo a narrativa,
Muito lhe acrescentei,
Mas, por não ser todo meu,
Assim me justifiquei.

Quando separei João Grilo
Do seu parceiro Chicó,
Foi como se dividisse
A ventania do pó,
Já que nesta ligação,
Tem corda, laçada e nó.

(...)

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