quarta-feira, 8 de junho de 2016

ÂNIMO

Nunca desanime em nada
batalhe sempre a sorrir,
se uma flor é dizimada
há mil botões a florir...
Mire bem ao seu redor,
pense num mundo melhor
para jamais desistir.


PedrO MonteirO

domingo, 5 de junho de 2016

O CANTO DA JAÓ













Certa vez, bisbilhotando mata adentro, fui contemplado com um espetáculo bastante curioso. Isso aconteceu no município de Cocal de Telha, no estado do Piauí.
Quando caminhava pelo leito de um igarapé do riacho fundo, seco pela estiagem, comecei a ouvir piados de um tipo de ave, conhecida na região por nambu jaó. Um dos piados vinha da direção da baixa das carnaúbas, o outro das bandas do morro das aroeiras. De pura curiosidade, tomei posição entre os dois e subi numa grande árvore para ver o que acontecia. Eram idênticos os piados e com a proximidade, aumentava mais e mais a minha expectativa quanto ao que ia assistir; se um encontro festivo ou uma disputa entre rivais. Até que pude avistar, de um lado, uma jaó-mãe acompanhada por três filhotes e, do outro, um gato selvagem caminhando cuidadosamente de barriga quase que arrastando pelo chão.
Aquilo, para mim, foi de perder o fôlego, preso à cena! Confesso nunca ter visto nada igual. Naquele momento a jaó piou e parou; o gato já muito próximo, mas detrás de uma moita, precisava apenas repetir o piado para a jaó andar só mais alguns passos e ele agarrá-la. No entanto, o gato, que estava de orelhas murchas e o rabo trêmulo, em vez de piar, miou! Arre...! A reação da jaó foi imediata e providencial, recuou, dando um misto de pulo voo. Os filhotes, que ainda não sabiam voar, aturdidos e indefesos, se agacharam entre as folhas secas.
Neste momento a mãe vendo suas crias em perigo fez-se de tonta, batendo asas e dando pulinhos, desviando a atenção do gato; enquanto os pequenos desapareceram dentro da mata fechada. Mesmo assim, a jaó manteve o gato ocupado, dando-lhe investidas de bico e asas abertas, fazendo um ruído muito estranho. A jaó parecia mesmo chamar para si todo o perigo, pois na luta o habilidoso felino, chegava a arrancar-lhe algumas penas. No entanto, ela resistia bravamente à peleja. Foi quando, repentinamente, ouvi um tropel vindo em nossa direção.

Eu estava muito atento àquela cena, mas logo percebi outra começando, era um lobo-guará que vinha embalado atrás de outro gato, num pega-pega medonho. Todavia, este, numa manobra esperta subiu numa grande árvore e o lobo passou às carreiras. Aliviado, o gato desceu e voltou sutilmente, nas mesmas pegadas. Já o gato que lutava com a jaó, assustado com aquele rebuliço todo, desapareceu.
Foi aí que eu desci da árvore onde me encontrava e também saí de cena, pois naquele palco repleto de estrelas, senti-me um vaga-lume num dia de
Sol. 
Autor: Pedro Monteiro